O paraplégico.
Como a vida estivesse se tornando muito complicada e difícil na favela onde morava com a parceira e os dois filhos no Rio de Janeiro, Benedito resolveu juntar o dinheiro que conseguia num mês e avisou à mulata que se mudariam para São Paulo.
Concordaram porque não havia outra saída. Instalados numa casinha do subúrbio em uma vila distante, na Vila Belmiro, Benedito logo percebeu que ali a vida também não seria fácil.
Como não tinha uma profissão definida, muito menos um curso superior que o credenciasse a arranjar emprego fixo, não estava muito preocupado com o que teria que fazer. Se não fosse praticar crime, topava qualquer negócio, contanto que arrumasse um ganho e a família não passasse necessidades. Acabou aceitando o emprego de meio expediente no almoxarifado de uma empresa, um salário irrisório que mal dava pra pagar o aluguel.
No barzinho da esquina, ouvindo as conversas que rolavam entre os novos amigos que arranjara, já que era bom de papo, ficou sabendo da profissão de michê, isto é, homens que se sujeitam a foder bichas e cobravam para isso.
A princípio a idéia o repugnou, relutou, achou que não conseguiria, não sentia o menor tesão por bichas e sua mulata era um mulherão na cama. Depois acabou descobrindo o valor arrecadado nessas transações e a idéia já não lhe pareceu tão inviável.
Para ele, com aquele tamanho todo, não deveria ser muito difícil. Mais parecia um atleta do basquetebol americano; aqueles negrões da NBA. Embora não fosse bonito, não era feio, o porte atlético o credenciava para a função, e isso talvez facilitasse sua entrada no ramo da prostituição masculina. Quem o visse, homem que gostasse do mesmo sexo, encararia na hora, imaginando os dotes do negrão.
E assim, passou a freqüentar os lugares preferidos pela baitolagem de São Paulo, procurando descobrir como agiam os concorrentes. E notou que a concorrência era grande e desleal.
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Como a falta de prática é sempre prejudicial em qualquer profissão, os outros passavam-lhe na frente, se exibiam descaradamente nas ruas escuras e durante algumas noites ele rondou, meio envergonhado, sem nada conseguir.
Nem sequer um carro parou, um olhar mais interessado talvez tenha lhe passado despercebido e já estava decidido a voltar para casa sem nenhum no bolso, abandonando definitivamente a idéia de alugar o cacete.
Pois bem, certa noite, depois do expediente, ele foi fazer mais uma tentativa de arrecadar um extra na Praça da República. Aquela praça não se parecia nada como é hoje, e havia um movimento muito grande por lá. Tomada quase que exclusivamente por pessoas ligadas à prostituição...
Naquela segunda-feira, ficou perambulando pela praça até tarde da noite. Já percebera que todo início de semana, o movimento era fraco e só melhorava a partir de quinta-feira.
Mesmo tarde da noite, ainda não tinha faturado nada e já estava para ir embora, resignado, quando resolveu dar mais uma chance à sorte e saiu andando pela praça. De repente, parou num ponto qualquer, e aí a sorte lhe sorriu.
No outro lado da praça, por ser muito alto, deu para avistar, por cima de outras pessoas, um sujeito numa cadeira de rodas. Mesmo de longe, deu para perceber que o cara da cadeira de rodas era afeminado. E se encaminhou para onde ele se encontrava. De mansinho, foi se chegando. Ao chegar mais perto, o sujeito vendo aquela lapa de negrão, abriu um sorriso de felicidade; de canto a canto da boca.
Confirmando, assim, a suspeita de Benedito, que não perdeu tempo, imitou os concorrentes e coçou o volume da mala, dando a entender que topava o intercurso.
Conversa vai, conversa vem... entenderam-se. A questão era apenas de quanto deveria pagar e se conhecia algum lugar propício ao colóquio amoroso. Problema de difícil resolução para Benedito que conhecia muito pouco os ambientes apropriados para isso.
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A praça era cercada por sobrados antigos, onde funcionavam alguns cinemas especializados em filmes pornográficos, e também muitos quartos de aluguel para encontro de casais, não importando o tipo de casal, se de homem com homem, mulher com mulher, homem com mulher. Os prédios, por serem antigos, não tinham elevadores. O acesso aos quartos era por meio de escadas de madeira, muito estreitas.
Benedito, depois de se combinar com o sujeito, atravessou a Avenida e se dirigiu a um daqueles hotéis, empurrando a cadeira de rodas, no meio da rua, desviando do trânsito, que ainda era intenso, por existir ali por perto algumas faculdades, cursinhos, teatros, etc.
Quando chegou ao destino, impossibilitado de subir as escadas com a cadeira, estacionou a cadeira de rodas no hall do bordel, sem a menor cerimônia, pegou o sujeito nos braços gentilmente e subiu as escadas com ele, como se fosse uma noiva no dia do casamento.
Chegaram ao apartamento, se assim podemos chamar aquilo, sentou, carinhosamente, o paraplégico numa poltrona e se preparou para o trabalho.
Aí é que o negócio complicava. Embora a quantia combinada fosse enorme e enorme também fosse o caralho, o bichão não se mostrava nem um pouco interessado no assunto.
Benedito permaneceu parado em frente do paraplégico, sem saber como agir, envergonhado por falhar justamente no ponto crucial da transação. Não ia dar certo.
Meio irritado, pensando no quanto seria difícil perder aquela soma, despiu-se completamente, pois mesmo que não fodessem, poderia cobrar pela exibição do “nu artístico”.
Olhando aquele corpão sarado de trabalhador braçal que jamais freqüentara academias de ginástica, mas premiado pela natureza principalmente no tamanho, o paraplégico suspirou de admiração e desejo.
-Como é que faz pra foder seu cu? – perguntou o Benedito tentando esconder com a mão o pintão mole como um bife mal passado.
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-Não precisa tudo isso, não, mon amour...eu não sinto nada da cintura para baixo...mas, em compensação...
E assim dizendo, o paraplégico puxou-o mais para perto de si, abriu a bocona gulosa e começou a beijar-lhe as partes mais baixas. Desde as coxas peludas, depois o sacão enrugado e finalmente o pêndulo negro, bambo e grosso.
A princípio o Benedito sentiu apenas uma cócega inconveniente, mas à medida que a boca se esfregava nos pentelhos, as mãos acariciavam suas bolas, os lábios sugavam vorazes a cabeça do caralho, Benedito começou a se surpreender com o resultado.
Mudou de posição, colocando-se bem próximo ao rosto do sujeito, as pernas abertas para regular a altura e deixou que o freguês se esbaldasse na chupação. O retorno foi imediato e Benedito até se espantou ao ver a dureza e o volume que sua pissa adquiriu em poucos minutos. Como sua mulata jamais aceitara chupá-lo, aquilo era novidade para ele.
-Fode minha boca, mon amour...fode ela como se fosse uma boceta! Pediu-lhe encarecidamente o paraplégico preparando-se para recebê-lo.
- O freguês é que manda, respondeu o Benedito e, segurando-o pelos cabelos, mandou ver.
Fez a pissona entrar completamente, esperou até o sujeito regurgitar e retirou-a brilhante de saliva.
-Fode só com a cabeça! É mais fácil para mim... - gemeu o paraplégico com os olhos marejados de lágrimas.
E lá foi o Benedito, fodendo os lábios, fazendo a cabeçona se esconder e surgir cada vez mais rapidamente, vendo a baba escorrer pelo queixo, enquanto os olhos arregalados do sujeito não se desviavam de seu rosto.
-Goza...goza bem no fundo de minha garganta...pedia ele entre uma chupada e outra.
Benedito fechou os olhos, imaginou-se fodendo a boceta da mulata, a pica entrava e saia até na metade e quando, devido à fricção, surgiu o primeiro jato, empurrou todo o volume para dentro de modo que o sujeito engoliu sem desperdiçar uma gota!
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Findo o ato amoroso, Benedito, refeito do esforço, vestiu-se, pegou o sujeito, colocou-o desta vez sobre os ombros como se fosse um boneco de pano e desceu as escadas, tranquilamente, carregando-o. Sentou-o na cadeira de rodas e guiou-o de volta à praça, onde o encontrara.
Com dinheiro no bolso, retornou ao lar, doce lar, feliz da vida.
O sujeito logo espalhou entre amigos o fato ocorrido e Benedito ficou conhecido na praça como o fodedor de paraplégicos.
Não havia muitos, mas por ser algo incomum, cobrava bem caro para satisfazê-los.
Receio de que a mulata descobrisse sua nova profissão?
Nadica! São Paulo é muito grande e a vila Belmiro fica muito longe do centro...
Karinhosa, minha amiga...então você não percebe que a central do prazer fica localizada no cérebro?
Abraços!
Se o cara não sentia nada da cintura para baixou pagou apenas para dar prazer ao Benedito? Foi isso mesmo? Muita imaginação e pouca lógica. Mais quem disse que para ser erótico precisa-se de lógica?? kkk Valeu uma boa nota por ser um texto bem escrito...bjs