Quando era mais moço, tinha uns vinte anos, não era ainda casado e, muito pobre, precisava aceitar qualquer tipo de trabalho para sobreviver.
Havia chegado a época do corte de cana e, como todo ano, saí da minha cidade no interior de Mato Grosso e fui para o Pará procurar trabalho.
Arranjei emprego como cortador de cana numa fazenda que ainda não conhecia e que pertencia ao prefeito da cidade. Quando cheguei, já notei que havia algo de estranho. De noite, os guardas armados nos mantinham trancados num barracão e só saíamos pela manhã para o trabalho, voltando à tarde para a janta e depois do banho seguíamos para dentro do barracão, que era trancado com cadeado pelo lado de fora e guardado por dois homens armados com rifles.
No final da semana não recebíamos nosso dinheiro, pois diziam que estávamos era devendo. Trabalho escravo no duro. Ficávamos todos revoltados com aquele tratamento desumano, mas tínhamos medo de reclamar, pois corria o boato de que eles assassinavam os que não se submetiam ao regime escravo.
Durante o dia não dava para fugir, pois éramos vigiados o tempo todo, mas a noite poderia haver uma chance, na escuridão, quem sabe... o problema era que ficávamos trancados. Éramos 29 homens trancados dentro de um barracão grande de madeira, dormindo pelos cantos.
Já nos primeiros dias que cheguei, notei que num canto do barraco sempre havia algum tumulto, sussurros, gemidos... Perguntei para um colega que estava do meu lado o que era aquilo e ele falou para eu ir lá ver pessoalmente, senão não iria acreditar. Curioso, fui me arrastando na direção dos sons, era muito escuro e quase não dava pra ver nada. Chegando lá, notei que havia um homem de quatro, e outro, por trás, estava enrabando o cara.
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Voltei rapidamente para o meu canto. Perguntei pro meu colega quem era o viado e ele me disse que isto era segredo, que não era pra ninguém saber. Na verdade, não era um só e cada dia tinha um diferente.
Era proibido acender luz, assim, quem estava de quatro não era reconhecido, e nem que o estava comendo, e essa lei era obedecida. Perguntei pra ele se ele já tinha ficado de quatro e ele riu dizendo que não, mas que às vezes vai até lá e pegava a fila para dar umazinha em quem estiver dando. Mas que lá era proibido conversar para que as pessoas não fossem reconhecidas pela voz. Achei aquilo tudo muito estranho e preferi ficar na minha, sem me envolver.
Amanheceu e, como sempre, vieram os guardas e abriram o barraco. Lá fora, um cheirinho de café. Saí do barraco e peguei a fila do café. Uma caneca e um pão pra cada um. Fiquei olhando pros outros, todos com cara de gente sofrida, uns mais novos, outros já velhos, tentando imaginar como podia acontecer o que vi na noite passada. Quem estava dando o cu? Olhando pros rostos desses homens, não dava pra saber. Todos pareciam muito sérios.
Após mais um dia no canavial, voltamos pro barraco. Eu só pensava em fugir dali, mas como? Aproveitando a última claridade do dia, dei uma olhada em volta, era só mato, mas isso era bom, pois para fugir era só me embrenhar naquele matagal. Se conseguisse chegar ao rio, nem os cachorros me alcançariam mais, pois perderiam o rastro. Mas como sair do barraco? Era um barraco velho, de madeira já meio podre, não deveria ser difícil despregar uma ou duas daquelas tábuas. Notei que num canto havia uma tábua bem podre e que poderia se soltar com um bom empurrão.
Anoiteceu, vieram os guardas e nos trancaram como sempre. Já com o meu plano em mente, fiquei perto do lugar onde a tábua estava meio podre. Esperei umas duas horas até que a maioria já estivesse sossegada, me aproximei da tábua e dei um forte soco com a mão aberta. Ela cedeu. Consegui afastá-la de lado e deu pra sentir o cheiro do mato do lado de fora. Mas a tábua era muito estreita e eu não conseguiria passar. Precisaria tentar despregar a outra tábua do lado,também.
Com dificuldade, enfiei a cabeça para fora do barracão pelo buraco já aberto para ver se via algum guarda. Estava muito escuro, quase não dava pra ver nada, mas vi a luz do cigarro de um deles que fumava a uns cinco metros de onde eu estava. Tive sorte de ele não ter ouvido o barulho quando soquei a tábua. Bom, no dia seguinte eu iria ver como era a tábua do lado, pra ver se dava pra soltá-la também. Estava tentando tirar a cabeça, mas as orelhas não passavam. Fiquei meio entalado, mas continuava tentando me soltar.
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De repente, senti um movimento atrás de mim. Alguém se aproximou e estava abaixando a minha calça, que era moletom. Lá estava eu, de quatro no canto e sendo confundido com o viado da vez.
Não podia falar para não chamar a atenção do guarda, então tentei fazer sinal para o cara atrás de mim, mas o infeliz achou que os sinais que eu fazia eram pra tentar apressá-lo. Eu tentava tirar a bunda da reta, mas ele me segurou, passou saliva no meu cu, encostou a cabeça do pau e começou a fazer força. Minha nossa!
Eu ia ser enrabado sem querer. Comecei a gemer baixinho, mas não teve jeito, senti uma dor bem no olho do cu, como se tivesse levado um choque. O cara me segurou pelos quadris e enterrou quase tudo. Acho que desmaiei, pois só me lembro quando ele já estava tirando o pau e senti o cu todo lambuzado. Meu cu ardia, e senti um grande alívio quando ele tirou o pau.
Continuei tentando soltar a minha cabeça do buraco, mas estava difícil. Novamente, um movimento atrás de mim, era outro que vinha me enrabar. O cara chegou e já foi enfiando, como o meu cu já estava meio alargado, entrou tudo, até o pé sem fazer força. Dessa vez senti os movimentos de vai e vem. O cara me segurava com força, metia tudo e tirava, voltando a meter de novo. Ficou nesse vai e vem uns cinco minutos, até que senti o meu cu sendo enchido por fortes jatos de porra. Eu não acreditava no que estava acontecendo. Precisava me soltar, e rezava pra São Benedito me livrar daquela agonia.
Já estava quase conseguindo, quando um outro me segurou por trás e me enrabou de novo e dessa vez era um baita caralho que acabou de vez com as últimas pregas que meu cu ainda possuía.. Eu já tinha me soltado da tábua, mas não podia falar nada, pois era a lei. Fiquei quietinho sendo enrabado e agüentei firme até que o cara gozasse. Depois que ele me soltou ,mais que depressa e silenciosamente, voltei pro meu canto com o cu todo arregaçado e fiquei quieto.
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Passados alguns minutos, notei que a movimentação recomeçou. Um outro tinha tomado o meu lugar e já estava de quatro sendo enrabado. Passei a mão no meu cu e senti que estava todo esgarçado. pensei Desconsolado com minha má sorte , peguei uma camisa velha, me limpei e vesti a calça novamente.
Pela manhã vieram os guardas e abriram o barraco. Eu estava com muita vergonha, mas ninguém olhou pra mim, parece que ninguém sabia mesmo o que tinha acontecido comigo naquela noite. Fomos para o canavial e eu pensando se valia a pena tentar soltar a outra tábua ou se seria melhor continuar ali, sem correr o risco de ser enrabado novamente. Quando voltamos, pude ver que a outra tábua era mais nova e seria difícil de soltá-la. Desisti do meu plano. Precisava bolar um outro.
Passadas mais duas semanas, fomos surpreendidos pela polícia, que havia descoberto o sistema de escravidão da nossa fazenda e veio nos libertar. Parece que dessa vez a justiça funcionou e o prefeito, junto com sua filha, foram presos. Ele teve que pagar um dinheirão de indenização.
Recebi o meu pagamento e voltei para minha terra. Arranjei um outro emprego e fui estudar. Nunca contei pra ninguém sobre o que aconteceu comigo naquele maldito barracão, até hoje.
Conto baseado em ou praticamente clonado de um conto escrito por Estefânio.
Amigaço.
Infelizmente trabalho escravo ainda é uma vergonha nacional , mas por ser tratar de um conto ficção não deixa de ser engraçado imaginar a cena e a situação de estar preso e os outros achando que era pq queria e o personagem sem poder nem reclamar rsrsrs, beijinhos