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Os três caminharam durante muitos quilômetros no asfalto quente, naquele calor sufocante, as matulas nas costas e o vestido encardido dela retendo o suor que escorria pelo pescoço e pelos braços. Lá longe, muito longe ainda, perceberam uma baixada e em quase toda baixada existe um riacho e uma ponte. Ela parou um pouco a caminhada:
-Não estou agüentando mais, José...juro que não posso dar mais um passo, minhas pernas estão com câimbra...
O marido nem olhou para ela, continuou andando como se não tivesse escutado e ela ficou para trás. O rapaz, Jesus, filho dele com a primeira, parou a caminhada e esperou que ela recuperasse o fôlego :
- O pai parece que tem raiva de nós... parece que nem tem dó...eu também estou cansado... a gente podia sentar um pouco pra descansar...
-Não...seu pai tá certo, Jesus...sentar onde? ... Você tá vendo alguma sombra? Ele tá certo... vamos continuar... deve ter água e sombra naquela baixada. Lá , se for bom, a gente pensa no que fazer...
José amoleceu um pouco e diminuiu a marcha, esperou que os dois se adiantassem e seguiu atrás observando-os. Sentia sede e fome também, mas não gostava de demonstrar fraqueza em frente deles e nunca falava disso. Quem pensa muito em desgraça acaba chamando mais desgraça.
Chegaram mais perto e avistaram a ponte de concreto e a vegetação mais verde nas margens do riozinho que passava por baixo dela. Foi como um alimento para a esperança. Apressaram os passos e desceram o barranco quase correndo, jogaram-se dentro d´agua e beberam, beberam a água limpa e fria, lavaram os rostos e depois os braços, os pescoços. Ficaram sentados dentro d´agua e um olhava para o outro com sorrisos nos lábios. Não era meio dia ainda.
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José olhou para o alto e as vigas de concreto que sustentavam a pista eram como a cúpula de uma catedral: poderiam morar ali por tempo indefinido, se não tivesse dono. Mas ponte tem dono? Só o governo. E o governo não representa a gente?
Então a ponte é um pouco da gente também.
Para lá das margens do rio viram o mato, mato cerrado, forte...devia ter algum tipo de fruta, de coisa pra comer, pensou Jesus e avisou o pai que ia procurar alguma, nem que fosse raiz doce.
-Vê se tem casa por perto...se tiver, não entra...é invasão...tu sabe disso; aconselhou José, desfazendo as matulas e espalhando as roupas sujas e emboloradas.
Maria sentou-se encostada na coluna de concreto e ficou ouvindo o barulho dos pneus zunindo no asfalto sobre suas cabeças. José apoiou a cabeça em seu colo, estava cansado, com sono , com fome , e assim dormiu. Ela ficou com a mão sobre sua barba crescida, suavemente, para não lhe atrapalhar o sono e passou os dedos sobre o nariz largo, o queixo forte, os lábios bonitos dele. Era seu homem e ela amava aquele.
O filho dele sofria de querer, ela sabia disso, mas amava o pai. E José também gostava dela. Do seu jeito quieto de resolver as coisas quando estavam piores. E quase sempre estavam. José dizia que gostava de seu rosto, seus olhos de mestiça, seus peitos de donzela, sua bunda de rapariga fina e sua boceta de puta usada. Maria adormeceu também, vencida por fim, com a mão segurando o cinto de couro e não pôde mais velar por ele..
Acordaram bem mais tarde com os gritos de Jesus se aproximando, trazia na trouxa feita com a camisa tudo o que pudera encontrar – goiabas, jilós, pequis, mangas e raízes novas e até dois abacaxis maduros e muito perfumados.
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-Eita que vamos matar a infeliz que tá nos matando! Brincou ele e espalhou o produto da busca em frente ao casal.
José espreguiçou-se, olhou para tudo aquilo e criticou:
- Tu andou foi invadindo roça, que esse tipo de abacaxi não dá no mato, infeliz... Tu tá virando ladrão de roça...
-Sei não, pai...só sei que encontrei tudo isso pela aí...riu ele e se prepararam para o almoço. Lavaram e mastigaram as raízes tenras, comeram as goiabas maduras , os abacaxis e sentiram-se satisfeitos. O canivete passava de mão em mão, descascando, cortando os pedaços de manga e a conversa silenciou. Emudeceram de satisfação resolvida. Acabou-se a fome de comida. Restava a outra, atrasada também, após tantos dias de castigo no asfalto quente.
-Amanhã vamos procurar trabalho na primeira porteira que aparecer. Não é possível que ninguém dê serviço, resmungou José e olhou pro filho, encarando-o seriamente. Jesus entendeu os dois recados e levantou-se. Adivinhava o desejo do pai, agora que estava saciado e afastou-se . Mas não se afastou muito. Ficou escondido entre as moitas e observou o pai abraçar a mulher e puxá-la para o canto mais escondido embaixo da ponte.
-Ele foi embora pra longe mesmo, ou tá por aí espiando? Perguntou Maria livrando-se do vestido, da calcinha e do sutiã.
-Deve estar aí, por perto ... não deve ter se afastado muito não...respondeu José tirando as calças, depois as cuecas e esticando o pênis ainda flácido com as mãos.
Maria encolheu-se , olhou as mãos dele e sentiu o desejo armar-se tanto nele quanto nela. Bastava que se olhassem nus para tudo desaparecer ao redor. Mesmo assim, com a voz trêmula e baixa, ela perguntou:
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-E você vai me querer com ele olhando? Ficou doido, homem?
-E tu não tá querendo ser fodida por isso aqui? Se ele quer espiar, que espie...é bom pra ir aprendendo...eu não mandei ficar espiando...mandei?
E enquanto falava, José largou o cacete, pedindo-lhe que o acariciasse e suas mãos ficaram livres para coçar-lhe os pentelhos fartos, a boceta úmida e cheirosa.
Tão cheirosa que ele não resistiu mais e ergueu-a facilmente, encostando-a contra o pilar de concreto, as coxas abertas sobre seus ombros, a boceta exposta para ser lambida e chupada por sua boca faminta:
-Nossa! Que bucetona gostosa, suada e cheirosa, esse naco de buceta... quero chupar tudo isso...assim mesmo...gosto do teu cheiro, safada...
Jesus, escondido atrás da moita, procurou uma posição melhor até conseguir vislumbrar a cena, completamente seduzido por aquela visão, pela primeira vez tão explícita, como se o pai quisesse mesmo que ele observasse tudo, cada movimento, cada detalhe, por mais sórdido que fosse. Jesus não conseguia tirar os olhos daqueles peitos morenos que dançavam macios enquanto o pai a chupava no grelo, nos lábios da boceta, nos pentelhos – uma farta mancha negra entre o rosto sufocado dele e o ventre moreno.
O rapaz rapidamente abriu as calças e tentou comparar-se – tal pai, tal filho... o cacetão duríssimo do mesmo tamanho sim , mesma grossura e cabeçudo igual. Feito na mesma fôrma. Masturbou-se um pouco, mas teve que parar ou logo gozaria, sem poder gozar de tudo aquilo que viria a seguir.
Enquanto era chupada fortemente pelo homem a quem amava, Maria procurava com os olhos, tentando descobrir onde Jesus se escondia, até que finalmente conseguiu identificar a mancha escura de seus cabelos, escondido no meio do capim alto.
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Então ela afastou a boca dele de sua xoxota e chegou a sua vez de pagar com a mesma moeda. José encostou-se no pilar, as pernas peludas abertas, o caralhão duro a balançar em sua frente e ela caçava-o com sofreguidão, rindo e tentando chupá-lo.
Jesus observou como ela abria a boca para chupar a ponta do caralho, o pai não havia se lavado, ele sabia. E, no entanto ela saboreava-o com malícia e gula. Amava-o de fato, aquela. E Jesus punheteou-se novamente, mas quando sentiu a gota de porra surgindo no olhão da ponta, parou e apertou o pênis, evitando ejacular. Queria ver mais... Já não o preocupava se estava sendo indiscreto, se Maria não gostasse de ser espiada, se o pai visse o estado de seu cacete tão similar ao dele, ao meio de tanta excitação.
Finalmente Maria deitou-se de pernas abertas sobre as roupas sujas espalhadas pelo chão. Abriu-se completamente e chamou-o, apalpando-lhe o caralho, guiando a ponta dele para o centro de seu desejo. Ele cobriu-a com seu corpo grande e peludo, fundindo-se com ela.
José fodeu-a lentamente, a bunda musculosa e peluda movendo-se em círculos. Jesus, meio enlouquecido pelo desejo,abandonou o seu esconderijo, aproximou-se deles e seguiu os movimentos com olhos invejosos, masturbou-se. Um jorro enorme de esperma, tão vasto como nunca havia tido antes, atingiu as costas másculas do pai que resfolegava num último espasmo de prazer dentro de Maria. José percebeu o que havia ocorrido, mas continuou deitado sobre ela, dentro dela até que a sentiu banhando-o com sua espuma .
Acalmadas todas as sensações não houve palavras, nem gestos, nem rituais estranhos: Jesus permaneceu sentado ao lado dos corpos entrelaçados, observando-os por longo tempo e entendeu, pela primeira vez, aquilo que nunca havia compreendido antes: amava a todos: pai e mãe.
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Depois Maria ergueu-se, procurou o vestido amassado, separou as frutas que seriam a refeição do dia seguinte, lavou as roupas na água do rio e colocou-as para secar sobre a grama. E manteve um silencioso respeito sobre as descobertas ocorridas naquela tarde.
O dia já estava terminando e eles juntaram as trouxas, prepararam os ninhos para passar a noite, o duro e negro asfalto os esperava pela manhã.
E eles observaram, durante a madrugada, a estrela cadente que riscava o céu na direção oposta à que pretendiam seguir.