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Nasci porque alguém sentiu desejo por outro alguém e desse desejo realizado surgiu este que vos fala. Talvez houvesse nessa relação isso que costumamos chamar de amor. Mas isso não é relevante já que é impossível provar essa declaração. O importante é que houve o intercurso sexual e troca de humores, fecundação e todo o processo que resulta em um novo ser. Nasci porque o desejo sexual é imposto pela natureza de forma tão avassaladora que torna-se impossível ser ignorado. Uma maneira de manter a continuidade da espécie mas não apenas isso. Esse é um imperativo em todos os seres vivos, de todos os sexos, mesmo que a finalidade não seja de reprodução. Pelo menos nos seres ditos superiores que aprenderam a distinguir aquilo que lhes dá prazer daquilo que não lhes dá.
Era exatamente nisso em que estava pensando quando olhei pela janela do prédio no qual pagava minhas contas e lá embaixo vi o Roberto como se estivesse à espera de alguém. Estava à minha espera, imaginei preocupado e sem saber direito como agir.Devia ter reconhecido meu carro estacionado ali na frente.
Quando o caixa devolveu-me os recibos, desci e ele ainda me esperava. Há muito não o via e ele estava muito diferente, mais magro e um tanto barbudo, maltratado.
Sabia por informações de outros que ele havia se viciado em drogas, portanto nunca mais o procurei e evitei de todo modo continuar nossa amizade.
Sinceramente, não sei lidar com drogados. Eles me desconcertam como se estivesse tentando me relacionar com uma parede que não ouve e não responde. Simplesmente não sei como ajudá-los e de fato desconfio que não haja ajuda possível a ser oferecida. Que posso fazer se não sou politicamente correto? É assim que penso, infelizmente.
Em todo caso, mais por receio que por amizade, apertei-lhe a mão num cumprimento cordial e perguntei-lhe como ia a vida. Senti o cheiro do álcool no ar – estava levemente embriagado, mas não o suficiente para embotar seu raciocínio. Explicou-me que estava ali buscando os resultados dos exames do vestibular. Fingi que acreditei e procurei parabenizá-lo por tentar um caminho honesto na vida. Mas suas roupas amarfanhadas e meio sujas, mostravam que não era verdade: não havia nada de planejamento para o futuro naquela vida prejudicada pelo consumo de drogas, igual a tantas outras que acabam sendo destruídas para enriquecer traficantes.
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Já ia me afastando quando me seguiu e perguntou-me se não lhe daria carona. Mais uma vez o receio me invadiu. Como botar dentro do carro um fulano que não se sabe exatamente o que ele está planejando? Uma vez trancada a porta seria um assalto? Uma agressão gratuita? Ou um choro lamentoso? Como saber? Mas não consegui dizer não. Rodei alguns quilômetros sem destino, pois não queria levá-lo até minha casa. Se descobrisse onde estava morando, com certeza não me daria sossego e a cada vez que necessitasse de dinheiro, estaria batendo à minha porta.
Quando o conheci tinha dezoito anos e estava prestando o serviço militar, todo fardado, o quepe na cabeça raspada, o corpo claro, alto, magro e forte, as pernas longas e bem torneadas, aqueles coturnos que sempre nos passam a impressão de solidez plantando o corpo no chão como uma fortaleza. E o desgraçado tinha caralho. Não um caralho qualquer, um caralho comum igual a milhares que se enfileiram nos batalhões de recos e aspirantes. Não tinha dinheiro para as cervejas, mas sabia que tinha um caralho especial. Também não era nenhum garoto de programa, afetado, interesseiro, um chato que vive esperando ser elogiado pelo “desempenho”. Era um rapaz simples que deve ter notado o modo como eu olhava pro volume e concluiu que poderia unir o útil ao agradável. Avisou já de cara que não fodia cu, mas que gostava de ser chupado. Que já havia sido chupado por um gay antes e que achara legal. Cobraria pouco, um dinheiro pro fim de semana, apenas. E não usava drogas, bebia pouco, não tinha doenças, era forte e sadio como um leão.
Foi assim que o conheci há três anos atrás. Fiquei bem mais seduzido pelo volume na farda do que pela conversa no carro. Era já noite quando parei o carro na estrada deserta e escura ao lado de uma porteira.. Ele desceu e ouvi o ruído do mijo batendo forte na terra. Depois sacudiu-o, aproximou-se de mim e pediu-me para verificar e verifiquei que havia extraído também o saco pela braguilha, com certeza para parecer maior, como se precisasse desse artifício... Era de fato um dos grandes. Acendi a luz interna do carro para apreciá-lo melhor e me espantei – não estava armado e nem precisava estar duro para impressionar.
-Há quanto tempo aquele gayzinho safado te chupou? Perguntei meio enciumado.
-Faz muito tempo já...mais de ano...
-Ele conseguiu engolir tudo isso? Não minta... Fale a verdade...
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-Não me lembro bem... não conseguiu não...foi muito rápido...dentro de um banheiro...
-Você chegou a gozar?
-Isso sim...ele me batia uma punheta e chupava ao mesmo tempo...gozei sim...
-E hoje...você está tesudo mesmo ou é só pelo dinheiro?
-Hoje ...tô tesudo mesmo...faz é tempo que não gozo....desde que vesti essa farda não peguei mulher nenhuma...parece azar, porra...
-Fique assim... não se mexa....recomendei –lhe postando-me a seus pés e comecei a lamber o coturno lustroso, subindo pela perna verde oliva até os beijos tocarem a pele aveludada do saco enrugado. Abri minha boca e agasalhei dentro dela o caralhão inteiro. Permaneceu quieto dentro de meu calor e começou a engrossar forçando os lábios a se abrirem e a se esticar empurrando minha cabeça para trás. Teso, sobrou-me dentro da boca a glande enorme para ser saboreada com todo o requinte.
Então ouvi a pergunta que mostra: nem toda decisão é imutável:
-Você também dá o cu, ou só chupa?
-Não dou o cu...principalmente pra você...não sou masoquista...
-Não é o quê?...Você não é gay?
-Você acabou de dizer há pouco que não fode cu...
-E não mesmo... mas como você está...sei lá...você tem uma bunda...que...sei lá...se quiser tentar...não tem nada pra passar...aí no porta luvas? Não tem vaselina?
Por um desses caprichos do destino eu tinha um tubo de vaselina esquecido no porta-malas... procurei-o na semi escuridão e o encontrei perdido abaixo do pneu sobressalente.
Pensei : Quando terminar de me lambuzar todo, o pintão já estará mole e vai ser aquela agonia para tentar introduzir essa trolha no meu cu...não vai entrar e vamos ficar os dois com cara de besta...ele com vergonha da “impotência” e eu zangado por sido "rejeitado”...
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Mas, ledo engano... assim que terminei de me lubrificar por dentro, ao procurá-lo, percebi que o caralho dava saltos de impaciência , mais firme que antes...enorme e encurvado para cima como um chifre! Temi por minhas pregas há muito descansadas desses abusos...mas lubrifiquei-o inteiro de vaselina e coloquei-me ajoelhado sobre o assento do banco, a bunda relutante à sua espera. E,no entanto, não doeu demais. Apenas o incômodo de sentir-se arregaçado lentamente até que meu interior conseguisse agasalhar a grossura e o comprimento exagerados. Foi bom. Meio inexperiente ainda ele manejava o vasto instrumento com sofreguidão fazendo com que escapulisse no princípio, mas aprendeu rápido seguindo o meu comando.
Tão bom que ele gemia e eu gemia em seguida:
-Puta,cara...te juro...é o primeiro cu que fodo...e não sabia que era assim...que cuzinho gostoso...tá machucando? Quer que pare um pouco?
-Não se atreva...não pare...enfie tudo...outra vez... assim...até no saco...ufffaaaa....
Em pouco tempo abriu-me todas as pregas e eu o recebia maravilhosamente bem até que ocorreu o espasmo glorioso e ele abraçou-me por trás como se minha bunda fosse sua propriedade a partir daquele momento.
Assim, o Roberto me possuiu durante seis meses e, por fim, eu estava tão acostumado com aquela geba que parecíamos ter nascidos um para o outro. Cheguei a amá-lo.
Um dia, fiquei sabendo que ele havia sido expulso da corporação por ter disparado sua arma dentro do quartel, aparentemente sem motivo algum.
A seguir, comecei a notar o desespero dele ao receber os trocados que lhe dava e saia rapidamente como se precisasse comprar algo ou pagar alguém muito mais importante que minha bunda. Estava já viciado em drogas. E eu não percebera nada.
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Agora, observando-o ao meu lado: desleixado, o rosto macilento, as olheiras, a falsa tranqüilidade que já não mais conseguia me enganar. Olhei o volume em sua calça suja, amarrotada, como se tivesse dormido com ela há semanas... Como seria bom acariciá-lo novamente...quão belo era o seu instrumento...o quanto ele era carinhoso...Quanto o havia amado...!
Por que morremos?
Porque não temos a coragem de dizer não...
Porque acreditamos que as pessoas ainda são as mesmas.
Porque deixamos nos dominar pelo desejo de reviver um passado que nunca mais será igual.
É por isso que morremos.
Assim pensando, parei o carro na porta de um bar e dei-lhe um bom dinheiro pedindo-lhe que fosse comprar-me um maço de cigarros.
E enquanto ele entrava na porta do bar eu acelerei. Estou vacinado. Não vai ser desta vez. Não foi eu quem destruiu sua vida e não serei eu a pagar por isso.