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Permitam-me que me apresente. Chamo-me Sandra, tenho olhos castanhos, cabelos pretos, sou gordinha, umas mamas grandes mas tesas, rabo cheínho mas duro, 46 anos de idade e sou advogada. O caso que vou contar-vos, passou-se em 1984 era eu então estudante de Direito na Universidade de Coimbra, e tinha 23 anos.
Fui o que se pode dizer uma menina mal comportada, ainda que muitas vezes forçada a sê-lo pela força das circunstâncias. Perdi a virgindade muito cedo. Meu pai era sargento do Exército português, com várias comissões em Angola, no tempo da guerra colonial, (foi naquela ex-colónia que nasci), e devido a contingências da guerra, aos 12 anos fui viver com uns tios de Lisboa, meus padrinhos de baptismo. Precoce fisicamente, a partir dos 14 anos e até aos 18 fui violada várias vezes por meu padrinho, aos 15 tive de fazer um aborto, até que aos 18 atingida a maioridade, farta de ser a puta dele, e das suspeitas de minha tia, irmã de minha mãe, pus-me ao fresco e voltei para Coimbra de onde meus pais são naturais, ainda que não para casa deles, aproveitando o facto de ter entrado naquela Universidade. Desempenhei várias profissões para poder pagar os estudos, prostitui-me muitas vezes para me poder sustentar, fui violada uma noite quando voltava para casa, enfim tenho várias histórias que talvez vos venha a contar. Mas hoje quero narrar-vos como fodi uma tarde com um presidiário num banco do Jardim da Sereia, porque isso aconteceu precisamente num mês de Novembro, como este em que escrevo, e porque esse dia marcou o inicio da minha relação com o meu marido, a quem amo muito.
Era um dia quente de Outono, e eu encontrava-me com um grupo de amigos no café Académico, na Praça da República. Para quem não conhece, o Académico tinha dois andares. O de baixo, por onde se entrava, tinha apenas um balcão onde se podia ser atendido, e umas três ou quatro mesas. O de cima, era o que tinha capacidade para mais clientes, e era nesse andar que nós estávamos – eu de costas para a janela que dava para a Praça, e por isso defronte para as escadas que conduziam ao andar de baixo. O Rui encontrava-se defronte a mim, o Ricardo e o Tavares, ao meu lado. Foi então que ao ver entrar um novo cliente na sala, exclamei:
- Olha o Zundap!
Chamávamos-lhe assim porque ele tinha uma motorizada Zundapp, tal como muitos rapazes da época, e mesmo algumas raparigas. Os meus colegas não o conheciam, mas eu fiquei admirada por o ver ali pois sabia-o na cadeia, onde dois anos antes fora condenado a uma pena de 6 anos de prisão por tráfico de droga. Eu conhecera-o pouco antes de ele ter sido preso, na festa do centenário da república estudantil onde então morava, (e só lá não continuei a morar por ter sido expulsa pelos demais repúblicos), e na noite em que o conheci, depois de alguns copos e de uns charros que então se fumaram, fui para a cama com ele. Fora essa a única vez que nos entregáramos., até porque ele tinha namorada, mas ficáramos amigos. Por isso ele mal me viu, riu-se para mim, e veio-me beijar. Correspondi ao seu beijo, apresentei-lhe os meus amigos, ele quis saber se algum deles era meu namorado, e pareceu ficar mais tranquilizado quando lhe disse que não, que não namorava.
- Então, já saíste?
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- Isso é que era bom! – respondeu – Estou a contar sair de vez daqui a um ano, por bom comportamento, mas hoje às 5 horas tenho de me apresentar na Penitenciária (eram três da tarde, mais ou menos). Só estou cá fora hoje, porque foi o funeral de um tio, e o director autorizou que eu fosse ao enterro. Mas calhou bem ter-te encontrado aqui. Aliás eu vim ao Académico porque precisava mesmo muito de encontrar alguma amiga de outros tempos.
- Porquê? -inquiri.
O Zundapp olhou em volta, notou que o Rui escutava com interesse como se adivinhasse o que ele me ia pedir, e apontando para uma mesa vazia sugeriu-me:
- Podemos passar para aquela mesa, que eu precisava de te falar em particular?
Estranhei mas não havia motivo para recusar. Pedi desculpa, e mudei-me com ele. Foi então que o Zundapp me explicou as razões da sua ida ao Académico.
- Sabes qual é a maior chatice de estar preso, em especial para um jovem como eu? É a falta de mulher. Fui de saco há dois anos e desde essa data nunca mais fodi. Tenho lá colegas, que na falta de mulher tocam ao bicho e desenrascam-se sozinhos, mas eu desde os 12 ou 13 anos que não toco à ponheta, nem acho piada nenhum fazer sexo sozinho. Outros comem o cu uns dos outros, mas eu também não acho piada nenhuma andar a ir ao cu a homens, e já por duas vezes tive de me impor para não comerem o meu – o Zundapp falava baixo, mas eu de relance percebi que o Rui na outra mesa procurava escutar o que ele dizia, e ia captando uma ou outra palavra, “sexo”, “ponheta”, “mulher”, “ir ao cu”, e estava roído de ciúmes que eu bem percebia.Tive então a certeza que ele estava apaixonado por mim, e ainda não encontrara coragem para se declarar.
- E que queres tu que eu faça? – perguntei-lhe – Porque não procuras a tua namorada, e não aproveitas esta tua tarde de liberdade?
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- Porque não tenho namorada– respondeu-me – A puta abandonou-me pouco depois de eu ter ido dentro, e pelo que sei já há muito que anda com outro. Aliás, já é o segundo que ela anda depois que fui preso.
Lamentava.
- Anda lá, Sandrinha – pedia-me ele em tom suplicante - tu é que me podias valer.
- Eu?!
- Sim, tu. Eu vim à procura de uma mulher porque estou louco de tesão. Tu não sabes o que é estar dois anos preso sem poder foder. Preferia ser espancado todos os dias, do que passar tanto tempo sem despejar a tripa, eu dou em maluco com os tomates cheios. Às vezes a dormir esporro-me todo, e sujo a cama e nem queiras saber a vergonha que passo. Eu vim aqui precisamente à procura de encontrar uma amiga que me queira satisfazer hoje. Nós os dois já o fizemos, e se tu quiseres poderemos voltar a fazê-lo hoje sem exemplo. Se eu tivesse dinheiro, teria ido direitinho à baixinha (a baixinha era o conjunto de ruas onde entre outros tipos de comércio se encontrava o das meninas da rua), mas com o não tenho só mesmo uma amiga porreira como tu para me aliviar (com a minha fama de puta, queres tu dizer, pensei) . E não tenho muito tempo para procurar, que daqui a duas horas tenho de estar na cela. Admito que o meu desempenho não vá ser tão bom como da outra vez, pois eu estou demasiado excitado, mas por favor – e agarrava-me na mão, com grande desprazer do Rui que continuava a seguir tudo atentamente – diz que sim, não recuses, garanto-te que não tenho doença nenhuma.
Que é que eu podia fazer? Eu não era muito difícil de levar para a cama, o Zundapp era um amigo necessitado, só me restava mesmo fazer a minha obra de caridade, uma das quais manda mesmo visitar os presos, embora não conheça nenhuma que imponha foder com eles. Mas quem não os visita, e eu nunca visitara o Zundapp na cadeia, deve ser com eles caridoso de outra maneira. E nesse momento para o Zundapp era mais premente arranjar quem lhe abrisse as pernas, do que quem o visitasse.
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- E para onde vamos? Já não moro na república, e a minha senhoria não admite visitas de rapazes nos quartos.
Ele sugeriu-me então o Jardim da Sereia, do outro lado da rua, já lá transara com algumas namoradas, pois o jardim era grande, e existiam muitos locais recônditos onde ele me poderia comer com relativa á-vontade.
- Ainda para mais estás de saias (eu trazia, como quase sempre, uma saia comprida à hippie), nem vais precisar de te despir. Eu meto-te a pila por debaixo da saia. Se passar alguém, irá pensar que somos namorados e nos estamos a esfregar um no outro.
Confesso que a perspectiva de ser comida num local daqueles aonde nunca fora com tal finalidade, ainda para mais com um recluso, correndo o risco de ser avistada fodendo por quem passasse, me deixou excitadíssima. Apenas não suporto foder sem os órgãos sexuais lavados, os meus e os do parceiro, por isso respondi-lhe:
- Tá bem! É a minha boa acção do dia. Mas primeiro vai à casa de banho, e lava a pila o melhor que puderes, que eu vou fazer o mesmo. Encontramo-nos lá em baixo.
Ele levantou-se, despediu-se dos meus amigos e encaminhou-se para o WC dos homens. Eu disse-lhes que iria sair mas voltava, o Rui garantiu-me que ficaria à minha espera, fui mijar e lavei a minha parreca na torneira do lavatório, depois de ter fechado a porta por dentro. Ele despachara-se primeiro, e quando desci ao passeio já ele lá me esperava.
- Vamos?
- Vamos! – e demos as mãos. O Rui do lugar onde estava, pela janela do café, viu-nos entrar assim no Jardim, como dois namorados, e compreendeu o que se ia passar. Também que outra coisa procuraria um presidiário, há dois anos sem ter mulher, numa rapariga fácil como eu, levando-a para um lugar daqueles? Nessa noite, Rui confessou-me que pensou seguir-nos, e só a presença dos dois amigos lhe impediu de o fazer.
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Para não sobrecarregar mais este conto, peço-vos paciência que o resto fica para a segunda parte.