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Difícil distinguir o mal do bem, assim como é complicado distinguir os bons dos maus. A vida não é assim tão simplista, nós é que tentamos separar as partes, simplificá-la, na esperança de melhor entendê-la.
É o que se percebe quando se tenta compreender a história de José e Augusto. Há muitos anos não se viam, até que Augusto reapareceu na vida de José, pedindo por ajuda. Um vendaval de tragédias se abatera sobre o rapaz e ele parecia desnorteado, perdido e sem ninguém para auxiliá-lo. Sua mulher o havia abandonado há dois anos para viver com outro, levando junto as duas crianças. Como vingança, Augusto acabara quase matando o irmão daquele que havia destruído o seu lar. Teve que fugir para o Maranhão onde trabalhou nas fazendas. Lá, fizera inimizade com um caboclo traiçoeiro que, durante um desentendimento, esfaqueou-o dentro da mata onde trabalhavam. Mesmo muito ferido, conseguiu se arrastar até a estrada, por sorte um caminhoneiro o socorreu e internou-o em um hospital de Açailândia, onde recebeu os primeiros socorros.
Pouco havia se restabelecido, ainda enfaixado, sem dinheiro e sem amigos, rumou para o Tocantins e chegou a Palmas, onde, por obra do destino, encontrou seu antigo conhecido José, na porta de um banco comercial..
José alegrou-se ao ver o companheiro de trabalhos rurais, trabalharam juntos em várias ocasiões, nos tempos idos. Ao ver o peão todo ferido, maltratado pela vida, não mediu esforços para ajudá-lo a vencer aquelas dificuldades.
Não foi, entretanto,o sentimento de caridade que o levou a socorrer o amigo. Foi a esperança de, tendo-o a seus cuidados, dependente, enfraquecido, conseguir aquilo que, no passado, tanto desejara.
José sempre tivera um tesão velado por Augusto, e se nunca tinha lhe contado nada era porque o sujeito era casado, pai duas crianças, machão e até mesmo muito violento. O medo o fizera calar seu desejo.
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Um outro qualquer não teria recebido a mesma acolhida. Não tivesse o Augusto aquele corpo magro e musculoso, aquelas pernas peludas, aqueles olhos negros e duros, aquela personalidade transtornada, não tivesse ele “aquilo” entre as pernas, tão incomum, José com certeza teria lhe virado as costas, como um estorvo.
Levou-o para sua casa, onde vivia sozinho e já na primeira hora percebeu que Augusto precisaria de ajuda até mesmo para tomar banho e tirar aquele cascão juntado durante vários dias de caminhada por estradas e rodoviárias. Removeu-lhe as ataduras das costas e braços, despiu-o completamente e levou-o para baixo do chuveiro.
E apesar do evidente embaraço do amigo, ensaboou-o cuidadosamente, o corpo inteiro, principalmente as regiões baixas, onde pôde acariciar aqueles colhões peludos, aquele cacete tão volumoso, que apesar de tantos cuidados, continuou caído e inerte. Augusto, desde que se conheceram, desconfiava do desejo que provocava no amigo, mas nunca sequer imaginou dar-lhe alguma esperança. Não era mesmo de seu feitio e até a idéia de ser cortejado por outro homem o incomodava, o irritava.
José fez-lhe todos os curativos, aplicou-lhe os remédios recomendados pelo hospital de Açailândia e se alimentaram devidamente.
Armou uma cama de campanha ao lado da sua, onde o Augusto caiu e adormeceu pesadamente, com as costas viradas para cima devido aos ferimentos. José ficou por longo tempo apreciando aquele corpo bonito e desmaiado, até que também adormeceu. No dia seguinte precisava trabalhar, mas deixou tudo organizado para que o outro não sentisse falta de nada.
Dias depois, Augusto continuava a se recusar a tomar banho, apesar da insistência do José. O calor era forte, estava suado e, no entanto, se recusava, dizendo que se viraria sozinho, quando achasse necessário. Mas os gemidos de dor, dentro do banheiro, cada vez que tentava levantar os braços, acabaram-no convencendo que não havia outro jeito.
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E lá foi o José novamente, com todos os seus cuidados, as mãos percorrendo todos os cantos de seu corpo, a maciez das mãos acarinhando suas bolas peludas, a água escorrendo sobre o dorso do cacete, os dedos do amigo ensaboando as dobras do prepúcio, a cabeçona descoberta e José, maravilhado, viu levantar-se aquele marzapo impressionante em beleza e tamanho. Augusto ficou bastante desconfortável ao ver a reação que lhe proporcionava o amigo, certamente por estar tanto tempo sem foder mulher alguma, a não ser em pensamento. Gostava mesmo era de uma boceta gorda que agasalhasse todo ele, como fazia aquela desgraçada que fugira com outro levando as crianças, alegando que a maltratava quando voltava bêbado para casa.
Mas José continuava a movimentar as duas mãos sobre o caralho, o prepúcio roçava a pele sensível da cabeça, suas pernas retesadas e os jorros de porra,subitamente, caíram sobre o ladrilho do banheiro. Augusto gemeu de dor e prazer e ficou cabisbaixo, sem encarar o amigo que havia lhe proporcionado aquele alívio, a respiração ainda pesada e dificultosa devido a seu estado de fraqueza..
Evitavam falar ou comentar algo sobre o assunto e, nos dias que se seguiram, José percebeu que Augusto espiava pelas frestas da janela as moças que passavam na calçada, enquanto com a mão se acariciava, certamente imaginando-se metendo o cacetão rombudo naquelas pregas.
Sentiu um pouco de ciúme , voltou a preparar o almoço e só então percebeu que todas as facas da casa haviam desaparecido e não havia nenhuma sequer para cortar os ingredientes. Alguma reação psicológica devido à agressão sofrida, pensou.
Os ferimentos em suas costas já estavam começando a cicatrizar e ele respirava já sem tanta dificuldade, as ataduras não eram necessárias, apenas alguns curativos pequenos sobre os ferimentos e os remédios para aliviar as dores.
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E Augusto não parava de falar da necessidade de sair dali, procurar um emprego, namorar uma mulher, arranjar um dinheiro para recomeçar, rever as crianças que há dois anos não via nem sabia onde, nem como estavam.
Durante as noites percebia que Augusto não conseguia dormir, rolando sobre a cama de campanha, acordando-o para perguntar as horas, perguntando-lhe se nunca havia sentido necessidade de foder uma boceta, e José se alegrava ao ouvir a voz dele na escuridão do quarto. Era uma presença perturbadora e , no entanto, necessitava dela.
Numa dessas, enquanto ele tateava no escuro procurando o interruptor da luz, puxou-o para perto de si e encontrou o membro duríssimo, o calor da cabeçona túrgida tão próxima ... serviu-o com seus lábios como se fossem os lábios da boceta tão desejada. Fez todos os movimentos necessários para confundi-lo, para enlouquecer aquela pissona entrando e saindo de sua garganta úmida de saliva e gosma. E quando sentiu o estremecimento anunciando o gozo, engoliu as esporradas com o afinco de quem desejava ser engravidado.
Numa outra, chamou-o, no escuro, ao ouvir o rangido da cama de campanha denunciando que as mãos faziam o trabalho de aliviar-se do tesão. Ajoelhado sobre os lençóis , ofereceu-lhe o cu já bem preparado para recebê-lo e quase gozou ao sentir o calor do cabeção procurando a entrada apertada e ansiosa. Trincava os dentes e se abria todo para receber o membralhão teso. E enquanto era fodido, ouvia o resfolegar sobre os ombros, na medida em que as estocadas aumentavam de ritmo e intensidade: “Puta...puta...amanhã eu saio...amanhã procuro uma vadia....uma boceta de verdade... E José recebeu as esporradas no fundo, como se fosse a amada que recebe a fecundação do macho. Soube, após o gozo poucas vezes antes conseguido, que já não poderia viver sem ele.
José percebeu que as gavetas amanheciam reviradas, como se alguém as vasculhasse à procura de dinheiro ou algo de valor. Notou as roupas dele empilhadas, prontas para serem colocadas dentro da mochila de viagem. Haviam desaparecido as economias que ele guardava na gaveta da cômoda, embaixo de velhos papéis. E José chorou ao perceber que a solidão voltaria a rondar sua vida.
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A última dose do “remédio” que José lhe preparou não serviu para matá-lo, mas deixou – o em estado de coma permanente. José não era bom em dosagens e todos entenderam como uma tentativa de suicídio.
José cuida dele direitinho e a vizinhança toda fica comovida ao ver tanta dedicação entre dois amigos. Até contratou uma mulher para substituí-lo nos horários de trabalho. E depois que ela se vai, José senta-se a seu lado e fica namorando-o durante horas, enquanto ele, mudo e paralisado, não reclama de nada.
Nada nesse mundo os separa.
Há os bons e há os maus. Difícil, às vezes, é identificá-los.