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A Festa de Bebeto.
Fui educado segundo os princípios que rezam : aquele que tem mais,deve distribuir com os que não têm. Sempre acreditei piamente que esse é o melhor meio de tranqüilizar nossa consciência contra os desmandos do destino, num país como o nosso, onde grande parte da população não ganha o suficiente para comer decentemente.
Assim , na semana que passou, em comemoração aos meus vinte e três aninhos de vida completados, tentei cumprir minhas obrigações de cidadão consciente e politicamente correto.
Antes de mais nada , enchi o Mitsubish com os mais caros produtos do mercado, desde vinhos importados da França até bacalhau da Noruega e Chocolates Suíços ,além de postas de baby bife e coxas de peru defumado da Espanha. É claro que não esqueci das quinze garrafas de caninha selecionada nos melhores engenhos do país.
Fartamente suprido de todos esses gêneros alimentícios e muitos outros que não caberia relacioná-los aqui , rodei quilômetros pela cidade, em busca dos necessitados e dos descamisados. Realmente não foi fácil encontrá-los, uma vez que costumam andar esparsos pela cidade , pedindo esmolas ou revirando latões de lixo. Mas , em virtude de minha insistente tenacidade , acabei por descobri-los , nos fundos de um prédio abandonado , reunidos ao redor de uma fogueira feita com balaústres certamente roubados da velha construção,tentando se aquecer do frio cortante que fustigava a baixada.
Eram seis homens e uma mulher,enrolados em velhos cobertores tiritando ao redor do fogo trepidante. Logo que me viu descendo do Mitsubish , a mulher correu em minha direção aos gritos de “amor!” , “amor!” mas eu imediatamente me livrei dela com um sopapo que a jogou a metros de distância e calou sua boca escandalosa.
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Os homens permaneceram me observando por alguns momentos, de forma um tanto intimidatória, porém não me retraí e chamei-os com gestos convidativos para que se aproximassem e olhassem o que havia dentro do porta- malas.
Dois deles eram decididamente velhos e imprestáveis. Presenteei-os com quatro garrafas de aguardente selecionada e isso parecia ser tudo o que desejavam na vida. Afastaram-se e foram encher o bucho de cachaça longe dali, onde não pudessem ser interrompidos. Os outros quatro eram homens maduros, presumivelmente fortes e havia até um rapazote que não deveria ter mais de dezenove anos de penúria. Eu os abracei a todos amorosamente, como manda a lei da convivência pacífica, pois já está provado: se você abraça um pobre, ele o abraçará em dobro.
Intensamente interessado em saber o histórico de suas vidas, levei o rapazote para um canto mais escuro e , enquanto ele saboreava um pesado cacho de uvas argentinas, pedi-lhe que me contasse suas desventuras. Contou-me que era natural do Piauí , daí a cor bronzeada , os cabelos lisos e negros , os olhos meio puxados , denunciando a mistura indígena no sangue . Viera para a cidade grande fugindo de gatos escravagistas e acabara naquela vida miserável. Deixara lá esposa e três filhos, apesar de sua pouca idade,comprovando o quanto os pobres gostam de fazer filhos indiferentes ao fato corriqueiro de foder sem poder. Fiquei tão comovido com tudo o quanto me contou que não pude me furtar ao desejo de lhe fazer um pequeno carinho nas regiões mais baixas e descobrir um rolete moreno e grosso, não muito comprido e de formato e dureza encantadores. Talvez por alguma decisão misteriosa do destino, ele era o mais indicado a iniciar e eu já havia, em casa mesmo, passado uma boa quantidade de vaselina no cu.
Pedi-lhe que me contasse como havia conhecido sua mulher, as circunstâncias e decorrências que envolviam o caso e , enquanto ele mo contava e comia as uvas, sentei-me delicadamente sobre o seu cajado . Falou-me das dificuldades da esposa em parir no meio da mata , rebolei o cuzinho para agasalhá-lo melhor ,falou-me da praga lançada pela sogra que o odiava , razão de todo o mal que o perseguia e apertei os músculos e pregas do cu , tentando consolá-lo por tanta ingratidão materna. Finalmente, após três fortes encoxadas, gozou , encheu meu reto de porra e afastou-se em busca de algo mais salgado que uvas.
Encontrei-os ao redor do carro revirando o conteúdo do porta-malas , exclamando diante de certos produtos não conhecidos e jamais provados por eles se não fosse minha caridosa intervenção.
Um senhor alto e magro, de ombros largos , meio encurvado para a frente, escuro ,quase negro , olhou-me agradecido , pensei na possibilidade de conhecê-lo mais intimamente e passei a ouvi-lo com atenção. Fomos caminhando até um dos cômodos abandonados e ele me relatou sua infeliz situação de fugitivo das garras de traficantes , se bem que jamais tivera a intenção de fumar um baseado, sequer. Jurado de morte por ter se recusado a entregar as rendas do dia, teve que desaparecer por uns tempos da favela onde vivera até então. Estudei o interessante nó na cordinha que lhe servia de cinto para segurar as calças largas, e o desfiz lentamente enquanto , embevecido escutava o seu relato. O traficante que o procurava era impiedoso e o caralho que segurei era impressionante, mesmo estando mole. Sugeri-lhe que não deveria jamais voltar ao reduto onde imperava o canalha ,ao mesmo tempo que arregaçava a pele do prepúcio e observava o cabeção digno dos mais ardentes beijos. Reagiu prontamente , estufando minha boca e me deliciei com o seu sabor , enquanto ele mastigava uma coxa de peru defumado.
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Falou-me da dificuldade em trabalhar e ter de se esconder ao mesmo tempo em que eu escondia dentro da garganta a maior parte de sua geba ensebada. Foi o suficiente para borrifar-me com uma não muito grande quantidade de porra , mas o bastante para minha gula.. Voltamos velhos amigos, para o convívio dos outros e notei que a mulher desgrenhada nos olhava de longe, na semi-escuridão, longe da fogueira. Depois ela viu os dois velhos e as garrafas de cachaça e rumou ao encontro deles.
E enquanto eu a abservava, meio indiferente ao seu destino, aqueles dois com quem eu ainda não tivera o privilégio de privar, confabulavam às minhas costas.
Carregaram-me para os fundos do prédio abandonado e , sem que eu entendesse o porquê , amarraram-me as mãos juntas com velhas cordas de varal sobre um cavalete de pedreiro , prendendo-me as mãos aos pés como num pau- de- arara fartamente usado nos tempos da ditadura.
Veio-me um deles pela frente, pareceu-me ser sulista, gaúcho, claro, branco, barba vermelha. Desvencilhou-se do cobertor com o qual se aquecia , desceu a bermuda imunda e saltou ante meus olhos um caralho encurvado, esquerdista, de modo que ele precisou colocar-se meio de lado para que a cabeça do mesmo roçasse minha boca. Abriu-me a boca com um vigoroso tapa e usou-a como boceta, deslizando o cacete até o fundo, de modo que babei sobre ele e engoli o que fui obrigado a engolir, enquanto ele virava ,com grande prazer ,uma garrafa de vinho francês safra 1960 .
Veio-me por trás o outro, talvez nordestino, baixo, encorpado, pernas arqueadas de antigo vaqueiro, calvo, ,olhos apertados .
Desceu-me as calças e sentiu o cu já usado, lubrificado pela vaselina e lambuzado pelo rapazote. A princípio acreditei que estivesse usando o punho para me abrir, mas não: era mesmo um caralho daquela grossura que forçou, tentou lacear as pregas, penetrou lentamente, retirou-se um pouco e finalmente atolou-se inteiro enquanto minhas pernas estremeciam de frio e dor. Abatido sobre o cavalete , foderam-me simultaneamente pelas duas entradas ,os movimentos mais acelerados , mais vigorosos , à medida que os goles respingavam e caiam sobre minhas costas.
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Quinze minutos sobre o cavalete – fodido rudemente de norte a sul - a mulher desgrenhada me observava à distância, até que eles se afastaram resmungando saciados ,bem depois, ao ouvir o motor do Mitsubish arrancando em grande velocidade, ela se aproximou do cavalete onde eu permanecia amarrado e brandiu a tocha em brasas.
Ainda estou me recuperando da festa, mas meu cu e meu carro jamais os recuperarei .