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Confissões de uma ninfomaníaca.
Se você não sabe, ninfomaníaca é uma mulher que não se satisfaz apenas com um só homem, apenas uma só vez. Dizem que é uma doença, mas eu não me considero assim. Eu sou o oposto daquela que a família tradicional cria para casar, acasalar, reproduzir, amamentar, envelhecer e morrer. Alguns diriam que eu sou uma vadia, mesmo. Fazer o quê? Porém não sou uma puta , me respeitem . Não recebo um tostão para fazer aquilo que me apraz. Aliás, tenho um bom emprego e ganho muito bem sem a necessidade de me prostituir para viver e sinto até um certo dó daquelas que precisam se vender para viver. Acredito que nosso corpo tem necessidades básicas naturais , sem as quais a vida não seria possível e uma delas é o sexo. Não como o mesmo prato todo dia, assim como não sou obrigada a foder com o mesmo homem pelo resto da vida. É assim que penso e assim que faço. Perdoem-me os puritanos, porém, no íntimo, eles e elas sabem que gostariam imensamente de viver como vivo. Duvido sinceramente que aquele marido fiel não sinta uma dor no saco ao ver passar a ninfetinha sem poder persegui-la e fodê-la. Duvido que a matrona mãe do lar não sinta um frêmito nas dobras ao observar o mocetão bonito que a filha lhe apresenta como o novo namorado. É natural no ser humano apreciar e desejar aquilo que acha belo ou excitante. A sociedade, porém impõe regras a serem seguidas e a maioria se curva diante das convenções. Para aqueles que resolvem quebrar as regras ,há um preço a se pagar, evidentemente, pois ninguém é feliz impunemente. Eu costumo pagá-las e esquecê-las em seguida, pois o rancor e a tristeza armazenados produzem rugas no rosto e no espírito. Deve ser por isso que permaneço jovem, bonita e desejável. Quando me tornar velha e feia , terei ainda as recordações para revivê-las . Triste daquelas e daqueles que nem recordações boas tiverem nos tempos escuros de solidão.
Uma ninfomaníaca tem seus aspectos positivos, pois não? Eu, por exemplo, jamais destruí ou destruirei um lar, um casamento, uma vez que não desejo me apossar de homem algum. No máximo posso usá-lo uma ou duas vezes e isso não tira pedaço de ninguém. Talvez a palavra “usar” lhe pareça muito pesada, mas não sejamos cínicos...
Não é isso mesmo que fazem o tempo inteiro , tanto a esposinha adorada como o maridinho terno e carinhoso? Não se engane. Estão se usando, embora denominem isso com outros verbos eufemísticos..
Devo ter uns trinta e sete anos atualmente, se o registro de nascimento não estiver enganado. Mentalmente sinto-me como uma rapariga de dezoito ou dezenove e nessa contabilidade já passei e já passaram por mim cerca de oitocentos e cinqüenta e sete homens diferentes. E quando digo diferentes, quero dizer isso mesmo.
Etnias, raças, cores, tamanhos, classes, maturos, imaturos, solteiros, casados, livres, desquitados, abandonados, idiotas, inteligentes, vilões, honestos, desonestos, aproveitadores, carinhosos, crentes, ateus, pobres, remediados - jamais ricos, por opção íntima minha.
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Se há alguma personagem que me sirva de modelo seria a Geni, do Zepelim. Jamais a de Madame Pompadour. Eu desprezo finesse e colônia pós-barba. Eu detesto intelectuais e auto-malhados. Eu evito metrosexuais, seja lá o que isso signifique além de bicha – louca. Eu adoro machos. Sem lapidação.
E sei que eles gostam do ronronar da gata, sei que gostam do perfume suave, da voz mansa, da mão leve e carinhosa. Da beleza pura sem excessos de maquiagem. De cabelos longos sem tinturas carnavalescas. Da pele macia e clara – como a da princesa no conto de fadas. Sei que gostam da bocetinha semi-virgem , cheirosa e úmida como uma pequena rosa desabrochando. Dos pequenos seios macios,naturais, mas não tão pequenos que não encham uma pegada de mão. Tudo isso eu tenho e dei. Mas eu dei para quem eu escolhi dar. Nada me foi tomado. Nem a bocetinha (857) tornou-se flácida ou larga. Nem o cuzinho (278) perdeu todas as pregas. Nem a boquinha (564) apresenta aqueles dois sulcos de fumantes.
São confissões . As partes cruas ? Sim ,vou falar sobre elas.
O priminho que me ensinou a brincar de doutor e paciente, o primeiro namorado que chupou o biquinho do seio no sofá, a punheta aplicada no colega de classe, os dois rapazes que me trouxeram do baile e me bolinaram embaixo do caramanchão, o pedreiro que mostrou sua ferramenta comprida perto da parede em construção, o amigo que jurou amor eterno e ganhou uma chupada,o advogado que lambeu a xoxota aberta sobre a escrivaninha, o rapaz branco que ensinava datilografia e meteu o pau dentro e depois enxugou o sangue com a própria camisa, o tio da amiga que meteu com camisinha e descobriu que eu já não era,o outro namorado que não queria me engravidar e botou só a cabeça no cuzinho, o ajudante negro que me mostrou o quanto a bocetinha pode ser elástica, e a lista segue ...vou parar por aqui porque a campainha está tocando. Com certeza é o entregador da pizza que encomendei há meia hora.