Clube dos contos eróticos

Relatos eróticos escritos por Amigaço

Nome Categoria Autor Visitas Votos Classif.
O casamento. Hetero Amigaço 7376 88 Nota 3.5
A bicha da mineração. Gays Amigaço 5045 71 Nota 4
Barranqueiros Sado Amigaço 12882 106 Nota 3.5
No boteco do Xeréu. Gays Amigaço 8147 74 Nota 3.5
Confissões de uma ninfomaníaca. Hetero Amigaço 6166 69 Nota 3.5
O Palestrante. Gays Amigaço 4941 83 Nota 3.5
Moto taxista Gays Amigaço 7563 76 Nota 3.5
Curto e grosso. Gays Amigaço 7813 74 Nota 3.5
Frutas,legumes e verduras. Hetero Amigaço 6070 81 Nota 3.5
João e o sonho. Gays Amigaço 5931 86 Nota 3.5
A filha do Senador. Hetero Amigaço 6282 65 Nota 3.5
Ressurreição. Gays Amigaço 10667 83 Nota 3.5
Corte de energia. Gays Amigaço 9741 110 Nota 3.5
A madame e o negão. Hetero Amigaço 29049 151 Nota 4
Chifres. Traição Amigaço 8171 89 Nota 3.5
O largado. Exibicionismo Amigaço 18300 75 Nota 3.5
A despedida Gays Amigaço 4746 68 Nota 3.5
O restaurante. Fetiche Amigaço 5314 62 Nota 3.5
Eu, Tio Euzébio e Branquinha Hetero Amigaço 77369 256 Nota 4
O cigano. Hetero Amigaço 3606 75 Nota 3.5
Seu Chicão foi meu primeiro macho Gays Amigaço 7745 100 Nota 4

João e o sonho.

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Escrito dia 11 de julho de 2007 na categoria Gays por Amigaço

João e o sonho.

João olhou pela janela ao ouvir o barulho rascante na rua. Parecia uma máquina estranha, um veículo preguiçoso a se arrastar pelo asfalto quente. Olhou por um instante e olhou novamente. Era ao mesmo tempo uma cena bela e perturbadora. Um jovem puxava uma espécie de carroça com dois varais, carregada de alumínios, ferros e cacarecos velhos. Fixou o olhar e a imagem parecia perpetuar-se em suas retinas: há muito não via cena tão impressionante. Não era só a semi nudez do rapaz que o aprisionou, mas sim o conjunto homem e trabalho. A bermuda larga escorregava abaixo da cintura deixando à mostra as nádegas mal cobertas pela cueca cinzenta. A carroça pesada, a transbordar de coisas rejeitadas, enferrujadas, sujas , descartadas. Os braços fortes, retesados, as mãos agarradas aos dois varais e os movimentos ondulantes no esforço de mover o conjunto todo. Mas foram os olhos dele que , por fim o impressionaram mais. Não se fixavam em nada e pareciam fitar algo no horizonte. Olhos de alguém enlouquecido, um drogado, talvez.

Não parecia perturbar-lhe o fato da bermuda larga a escorregar deixando quase a mostra uma parte da bunda e dos pentelhos. Todo o corpo forte parecia obedecer apenas ao desejo de prosseguir sem rumo para a frente , sempre. Mas estava cansado como todo animal que exige demais de si mesmo.

Viu-o descansar um pouco em frente a seu portão, tentando subir bermuda e cuecas que imediatamente desabaram novamente e a pele dele era

de um bronzeado impecável , sem marcas, os pentelhos cor de cobre . Afundava o boné sobre os cabelos e as bermudas caindo eternamente, sem o cinto, larga.

Finalmente sua cabeça voltou-se para a direção onde João, paralisado o observava. Olhou-o duramente como se estivesse acostumado a ser observado como um delinqüente e indagou :

Encontre as mais gostosas morenas em sua cidade!!!

-E aí, véio.... um copo d´agua ....tem?.

João saiu de seu estado de êxtase e abriu o portão. Ele empurrou a carroça para fora da rua , para a calçada e entrou. João sentiu as mãos trêmulas... o medo travava seus movimentos e palavras. E, no entanto, queria tanto ele por perto. Levou-o para os fundos da casa , através do corredor lateral. A bermuda vermelha caindo sempre, o formato da bunda , firme , pequena , redonda , dourada.

João viu sobre a mesa da cozinha uma faca suja e tratou de escondê-la dentro da gaveta. Que besteira... Ele só queria água... Só isso...

-Tem ferro velho? Eu levo, se tiver.... alumínio, panela velha.... tem?

João meneou a cabeça, os olhos fixos nos pentelhos cor de cobre que começavam no umbigo e continuavam dentro da cueca cinzenta. Com certeza usava drogas. Quem sabe usasse crack...uma pena...tão forte...tão bonito...tanta vida...

-Tem nada pra levar, não? Vou indo então...

Mas quando devolveu o copo vazio suas mãos se tocaram e João segurou a mão dele num impulso não controlado. Quase falou : “ fique ...” e , no entanto, a palavra não saiu. Ficou engasgada na garganta.

Percebeu o jogo da mão e deixou que João a segurasse por um instante. Olhou-o perscrutando e, se João esperava um sorriso maroto ou cínico, não o encontrou. Ao contrário, sentiu a mão grande e suada pousando com suavidade inesperada em seu ombro,

puxando-o de encontro ao peito desnudo, o rosto muito próximo,quase encostado em seu pescoço e o sussurro:

-Eu sei...eu sei....eu sei , véio....

E ao perceber o quanto João estremecia fechado dentro de seus braços, completou:

Ache solteiros sexy em sua cidade!!!

-Pode beijar, se quiser... mas não na boca...no rosto...

E permaneceu imóvel, impassível, enquanto os lábios de João roçavam a pele do rosto, os pêlos

da barba mal feita.

João pensou que deveria ter guardado, em algum lugar, um cinto que não usava mais... que poderia servir para lhe segurar a bermuda. Não queria que outros vislumbrassem a sua quase nudez ,numa espécie de ciúme insensato..

Mas ele já se afastava, puxava a carroça para o meio da rua e os músculos das pernas se enrijeciam no esforço da tração.

João permaneceu olhando-o, até que desaparecesse na esquina.

Guardou – o pelo resto de seus dias, pelo menos, a essência dele. O beijo no rosto.

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