| Nome | Categoria | Autor | Visitas | Votos | Classif. | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| O casamento. | Hetero | Amigaço | 7376 | 88 | ||
| A bicha da mineração. | Gays | Amigaço | 5045 | 71 | ||
| Barranqueiros | Sado | Amigaço | 12882 | 106 | ||
| No boteco do Xeréu. | Gays | Amigaço | 8147 | 74 | ||
| Confissões de uma ninfomaníaca. | Hetero | Amigaço | 6166 | 69 | ||
| O Palestrante. | Gays | Amigaço | 4941 | 83 | ||
| Moto taxista | Gays | Amigaço | 7563 | 76 | ||
| Curto e grosso. | Gays | Amigaço | 7813 | 74 | ||
| Frutas,legumes e verduras. | Hetero | Amigaço | 6070 | 81 | ||
| João e o sonho. | Gays | Amigaço | 5931 | 86 | ||
| A filha do Senador. | Hetero | Amigaço | 6282 | 65 | ||
| Ressurreição. | Gays | Amigaço | 10667 | 83 | ||
| Corte de energia. | Gays | Amigaço | 9741 | 110 | ||
| A madame e o negão. | Hetero | Amigaço | 29049 | 151 | ||
| Chifres. | Traição | Amigaço | 8171 | 89 | ||
| O largado. | Exibicionismo | Amigaço | 18300 | 75 | ||
| A despedida | Gays | Amigaço | 4746 | 68 | ||
| O restaurante. | Fetiche | Amigaço | 5314 | 62 | ||
| Eu, Tio Euzébio e Branquinha | Hetero | Amigaço | 77369 | 256 | ||
| O cigano. | Hetero | Amigaço | 3606 | 75 | ||
| Seu Chicão foi meu primeiro macho | Gays | Amigaço | 7745 | 100 | ||
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João e o sonho.
João olhou pela janela ao ouvir o barulho rascante na rua. Parecia uma máquina estranha, um veículo preguiçoso a se arrastar pelo asfalto quente. Olhou por um instante e olhou novamente. Era ao mesmo tempo uma cena bela e perturbadora. Um jovem puxava uma espécie de carroça com dois varais, carregada de alumínios, ferros e cacarecos velhos. Fixou o olhar e a imagem parecia perpetuar-se em suas retinas: há muito não via cena tão impressionante. Não era só a semi nudez do rapaz que o aprisionou, mas sim o conjunto homem e trabalho. A bermuda larga escorregava abaixo da cintura deixando à mostra as nádegas mal cobertas pela cueca cinzenta. A carroça pesada, a transbordar de coisas rejeitadas, enferrujadas, sujas , descartadas. Os braços fortes, retesados, as mãos agarradas aos dois varais e os movimentos ondulantes no esforço de mover o conjunto todo. Mas foram os olhos dele que , por fim o impressionaram mais. Não se fixavam em nada e pareciam fitar algo no horizonte. Olhos de alguém enlouquecido, um drogado, talvez.
Não parecia perturbar-lhe o fato da bermuda larga a escorregar deixando quase a mostra uma parte da bunda e dos pentelhos. Todo o corpo forte parecia obedecer apenas ao desejo de prosseguir sem rumo para a frente , sempre. Mas estava cansado como todo animal que exige demais de si mesmo.
Viu-o descansar um pouco em frente a seu portão, tentando subir bermuda e cuecas que imediatamente desabaram novamente e a pele dele era
de um bronzeado impecável , sem marcas, os pentelhos cor de cobre . Afundava o boné sobre os cabelos e as bermudas caindo eternamente, sem o cinto, larga.
Finalmente sua cabeça voltou-se para a direção onde João, paralisado o observava. Olhou-o duramente como se estivesse acostumado a ser observado como um delinqüente e indagou :
Encontre as mais gostosas morenas em sua cidade!!!
-E aí, véio.... um copo d´agua ....tem?.
João saiu de seu estado de êxtase e abriu o portão. Ele empurrou a carroça para fora da rua , para a calçada e entrou. João sentiu as mãos trêmulas... o medo travava seus movimentos e palavras. E, no entanto, queria tanto ele por perto. Levou-o para os fundos da casa , através do corredor lateral. A bermuda vermelha caindo sempre, o formato da bunda , firme , pequena , redonda , dourada.
João viu sobre a mesa da cozinha uma faca suja e tratou de escondê-la dentro da gaveta. Que besteira... Ele só queria água... Só isso...
-Tem ferro velho? Eu levo, se tiver.... alumínio, panela velha.... tem?
João meneou a cabeça, os olhos fixos nos pentelhos cor de cobre que começavam no umbigo e continuavam dentro da cueca cinzenta. Com certeza usava drogas. Quem sabe usasse crack...uma pena...tão forte...tão bonito...tanta vida...
-Tem nada pra levar, não? Vou indo então...
Mas quando devolveu o copo vazio suas mãos se tocaram e João segurou a mão dele num impulso não controlado. Quase falou : “ fique ...” e , no entanto, a palavra não saiu. Ficou engasgada na garganta.
Percebeu o jogo da mão e deixou que João a segurasse por um instante. Olhou-o perscrutando e, se João esperava um sorriso maroto ou cínico, não o encontrou. Ao contrário, sentiu a mão grande e suada pousando com suavidade inesperada em seu ombro,
puxando-o de encontro ao peito desnudo, o rosto muito próximo,quase encostado em seu pescoço e o sussurro:
-Eu sei...eu sei....eu sei , véio....
E ao perceber o quanto João estremecia fechado dentro de seus braços, completou:
Ache solteiros sexy em sua cidade!!!
-Pode beijar, se quiser... mas não na boca...no rosto...
E permaneceu imóvel, impassível, enquanto os lábios de João roçavam a pele do rosto, os pêlos
da barba mal feita.
João pensou que deveria ter guardado, em algum lugar, um cinto que não usava mais... que poderia servir para lhe segurar a bermuda. Não queria que outros vislumbrassem a sua quase nudez ,numa espécie de ciúme insensato..
Mas ele já se afastava, puxava a carroça para o meio da rua e os músculos das pernas se enrijeciam no esforço da tração.
João permaneceu olhando-o, até que desaparecesse na esquina.
Guardou – o pelo resto de seus dias, pelo menos, a essência dele. O beijo no rosto.